Promessa do judô diz que quase desistiu por causa da balança

sexta-feira, 1 de abril de 2011.
A judoca Mayra Aguiar despontou no esporte após conquistar a medalha de prata nos Jogos Pan-Americanos de 2007, no Rio de Janeiro, e se consolidou como atleta de ponta ao conquistar outra prata no Mundial de Tóquio, em 2010. Em sétimo no ranking da Federação Mundial de Judô, a gaúcha é uma das promessas para a Olimpíada de Londres, em 2012. No entanto, a briga com a balança quase a fez desistir do esporte, quando ainda estava na categoria até 70 kg.

“Era uma briga federal com a balança. Quase desisti do judô por causa da balança, por causa da alimentação. Eu não me aguentava mais. Subia 10 kg no peso e tinha que baixar 10 kg. Hoje (na categoria até 78 kg, meio pesados) eu peso muito menos do que pesava na categoria até 70 kg, porque não tem mais essa angústia de não poder comer”, disse ela.

Apesar de estar mais confortável na categoria até 78 kg, ela mostra bom humor ao brincar com a mudança. “O nome (meio pesado) é feio, é o que mais me deixa indignada”, brincou.

Esse clima de bom humor e brincadeira faz parte da rotina pesada de treinos de quatro horas diárias que ela e os colegas de tatame enfrentam. Pelo tempo que passam juntos, o grupo acaba se tornando uma segunda família. “Às vezes, a gente passa mais tempo com eles do que com a própria família”.

A descontração é tanta que, durante a entrevista, o judoca bicampeão mundial João Derly se intromete: “pergunta para ela porque o apelido dela é piolho”, o que provocou risos entre o grupo.

Mayra fica vermelha, mas explica que a história surgiu depois de ver uma entrevista concedida pela judoca Edinanci Silva.

“Perguntaram para a Edinanci como é que era estar entre as primeiras do ranking, e ela respondeu: ‘é que nem piolho, tem que estar sempre nas cabeças’. Eu escutei aquilo e comecei a rir, aquilo ficou marcado. Daí, inventei de falar isso em uma entrevista, citando ela”.

Mayra disse que depois de ter repetido a frase passou a ficar marcada pela declaração. “Aí pronto. Virei a mulher piolho, e nem fui eu que falei. Mas nem ligo mais, agora eles só estão implicando comigo”.

Apesar da sintonia entre o grupo, nem tudo são rosas. Recentemente, Mayra fez uma cirurgia de garganta e nariz e ainda se recupera. “A cirurgia foi bem, mas o nariz ainda está demorando um pouco para recuperar… eu estava tendo muitos problemas, estava viajando para lugares frios e sempre criava meio que uma virose, então me atrapalhava muito na competição”, disse. Segundo ela, o momento escolhido para a cirurgia não poderia ser melhor, porque ela estava bem colocada no ranking e tinha tempo para descansar.

As brincadeiras fazem parte da rotina do grupo, mas são apenas um contraponto para a pressão e a exigência a qual os atletas são submetidos. A judoca disse que é necessário abdicar de muitas coisas para conseguir resultados. “É uma que coisa que, quando você está no pódio e vê a medalha, vê que vale a pena”.

Mayra pratica judô desde os 6 anos e afirmou que sempre acreditou em seu potencial, mas só teve consciência do que poderia alcançar nos tatames em 2007. “Mesmo pequena eu sabia que podia chegar muito longe. Sempre tive esse negócio. Mas acho que a explosão mesmo foi no Pan-Americano (de 2007, quando conquistou uma medalha de prata), quando teve toda aquela mídia, as pessoas começaram a me reconhecer porque eu estava aparecendo na TV”.

Ela disse que com o reconhecimento e a conquista, veio a pressão, que teve o auge na Olimpíada de Pequim em 2008. “Eu me estressei porque é muita pressão. Eu era muito nova (17 anos) quanto entrei na Olimpíada, mas agora já consegui superar isso, nós fazemos um trabalho com psicólogo aqui na Sogipa (Sociedade de Ginástica Porto Alegre), então já vou com outra cabeça, com outra maturidade para a Olimpíada”.

O foco de Mayra “sempre é a Olimpíada”, mas ela sabe das dificuldades no caminho porque precisa manter a boa colocação no ranking mundial. “Para chegar lá tem todo esse ranking, e tem que ficar entre as 14 melhores… estou bem em sétimo, mas temos sempre que nos manter, e sempre subir”.

Ela disse que ter o nome entre os 10 melhores judocas do mundo é muito gratificante, e conta que a notícia veio em um momento de muita mudança em na vida.

“Era tudo novo, eu tinha acabado de trocar de categoria e estava voltando de uma cirurgia de joelho que me deixou oito meses parada. Eu até me impressionei que tenha dado tão certo, estou super bem e só tenho a crescer agora”.

No entanto, Mayra faz questão de não abdicar da vida pessoal. “O judô é só uma parte da minha vida, então a gente tem que aproveitar, porque um dia isso tudo acaba”.

Quando não está treinando, ela divide o tempo entre a faculdade de educação física, os amigos, “rolos”, e o mais novo hobby: patins roller skate. “Eu ando no domingo de manhã, acordo e vou andar de roller no Marinha (parque próximo à zona na zona sul da capital gaúcha) e também adoro um vôlei na praia”.

Fonte: Terra

Divulgação Judô Família Fontes
Ricardo Fontes

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