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Praça Mestre Bimba vai sair do papel (Casa da Capoeira)

segunda-feira, 7 de março de 2011.
SEMMA e Secretaria de Obras se preparam para iniciar as obras da Praça Mestre Bimba.

O Trabalho nesse momento é de planejamento e confecção das plantas executivas, a partir da concepção arquitetônica da Arq. Elaine Fernandes e das necessidades levantadas pela população do entorno da Praça.

Na foto a área que já recebeu a limpeza inicial, tendo ao fundo a Casa da Capoeira de Bauru, que liderou a comunidade do Jardim Contorno no encaminhamento dessa reivindicação.

O projeto, construído coletivamente, prevê um play-ground, pista para caminhada/corrida, pista para bicicross/BMX e uma "Praça da Capoeira".

Quem foi Mestre Bimba

Diversas manifestaçoes culturais de origem afro se perderam pelo caminho da historia.

A Capoeira tambem poderia haver-se perdido, dada a descomunal força das proibições e repressões.

Mestre Bimba percebeu que a Capoeira sofria um processo de "folclorização", perdendo o seu caráter combativo e aspectos que os capoeiristas chamam de fundamento.

Em face disso, nos anos de 1930, Manoel dos Reis Machado (1900-1974), conhecido nas voltas do mundo da capoeira como MESTRE BIMBA, cria a Capoeira Regional ao sistematizar uma metodologia de ensino; como excepcional tocador de berimbau que era criar toques especificos para cada tipo de jogo; inovar nos rituais, mantendo a tradição; e especialmente oportunizou o aprendizado e pratica a homens, meninos e mulheres, das diferentes origens etnicas e sociais, com o seu Centro de Cultura Fisica e Luta Regional Baiana, conquistando assim a descriminalizarao da pratica do Jogo da Capoeira atraves da sua obra "A Capoeira Regional".

Hoje a Capoeira deu, literalmente, a volta ao mundo, sendo praticada em mais de 160 paises dos 5 continentes, sendo a maior embaixatriz do Brasil no exterior, e o maior veiculo de difusão da lingua portuguesa no mundo.

Assim sendo, devemos essa herança cultural que tanto nos identifica como brasileiros a Manoel dos Reis Machado, o MESTRE BIMBA, o criador da Capoeira Regional, ao lado do Mestre Pastinha, o patrono da Capoeira Angola.

Fonte: Prof. Alberto de Carvalho Pereira Sobrinho
Fundação Casa da Capoeira de Bauru
Presidente

Rua Sebastião Pregnolato, 4-86
Jd. Auriverde (Contorno)
(14) 3011-4711

Eu Ricardo Fontes quero agradecer á mais uma parceria em que este site esta fazendo que é com o nosso amigo Prof. Alberto, pois acreditou em nosso trabalho e irá nos ajudar com histórias de atletas e com novidades sobre a capoeira.

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Tai Chi - estilos (vídeos)

terça-feira, 12 de outubro de 2010.
Neste vídeo você vera estilo de Tai Chi Chuan, preste atenção e ouça a música de fundo com o coração, pois você verá o quanto irá relaxar.



tai chi yang style



48 formas



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Fonte: Youtube
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Tai Chi - nossos mestres

GRAO MESTRE YANG ZHENDUO

Nasceu em Pequim, na China Continental em 1924. Bisneto do Grão Mestre Imperial Yang Lu-Chan, criador do estilo Yang de Tai Chi. Seu pai, Yang Cheng-Fu, é a terceira geração na linhagem de transmissão do Estilo e foi quem estabeleceu as posturas que perduram até hoje. Mestre Yang Zhenduo estudou diligentemente desde tenra idade com seu pai e com seu irmão mais velho. Não apenas praticou duro, mas também tinha interesse em pesquisar e melhorar suas técnicas compreendendo os conceitos mais avançados do Tai Chi. O resultado disto foi uma técnica muito depurada e espírito paciente, para com seus alunos sendo assim procurado por muitos que querem receber seus conhecimentos. Atualmente praticantes de Tai Chi de todo o mundo aplaudem sua habilidade e técnica. Desde 1960 tem difundido o Tai Chi Chuan do Estilo Yang de província em província, vilas, fábricas, escolas e praças, através da China toda. Seu conhecimento também atingiu outros países e durante estes últimos 30 anos Mestre Yang Zhen-Duo tem trabalhado duro para manter o nível de suas instruções e sempre desenvolve-las. O suor de sua testa simboliza o seu sucesso! Atualmente tem mais de 300.000 discípulos pelo mundo todo. Mestre Yang Zhenduo hoje é membro do Clube Profissional da Associação Chinesa de Wu Shu, membro do Quartel General de Esportes de Shanxi, Vice Presidente da Associação de Wu Shu de Shanxi, professor de honra da Academia Chinesa de Tai Chi de Yongnian e presidente de muitas outras Associações na China e no estrangeiro.

MESTRE YANG JUN

Nascido em 1968 em Taiyuan - Capital da Província de Shanxi na República Popular da China, Mestre Yang Jun é a sexta geração descendente do criador do Estilo Yang de Tai Chi Chuan. Filho de Yang Dao Fang e neto do Mestre Yang Zhenduo, Yang Jun é o futuro detentor da herança da Família Yang. Mestre Yang Jun iniciou seus treinamentos quando tinha apenas 5 anos de idade. Ele adquiriu a maestria nas técnicas do Tai Chi Chuan de mãos vazias, Espada Tai Chi, Sabre Tai Chi, Tue Shou (Empurrando com as mãos) e muitas outras formas de Tai Chi. Desde o ano de 1982, quando foram a Singapura, tem acompanhado seu avô em turnês de Seminários Internacionais. Agora, após vinte e um anos e dúzias de seminários por todo o mundo, Mestre Yang Jun tornou-se um professor de alto nível. Suas habilidades são inquestionáveis. Suas formas combinam a suavidade e a dureza, o equilíbrio com a leveza, transmitindo a intenção em todos os seus movimentos, com grande força e graciosidade. Mestre Yang Jun é graduado em Educação Física pela Universidade de Shanxi desde 1989. Em 1995 a Academia Chinesa de WuShu, o reconheceu como Grande Mestre na Província de Shanxi e serviu como Vice Presidente de Operações e Treinamento na Associação do Estilo Yang na província de Shanxi com mais de 30.000 membros em sua cidade natal. Em 1996 foi certificado como Juiz de alto nível Nacional e serviu como Juiz principal na Competição Nacional na China no ano de 1998.

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Tai Chi - estilos

O Tai Chi Chuan é uma arte chinesa que surge na história daquele país, por volta do ano 1200 de nossa era. Foi lendariamente criado por um monge taoísta de nome Chang San Feng. Conta a lenda que este monge era versado em diversas artes marciais e queria reunificar os princípios filosóficos e os princípios físicos que na época estavam dissociados devido a muitas guerras na China. Chang San Feng, observando a luta entre uma garça (grou) e uma serpente idealizou os movimentos do Tai Chi Chuan. Outra versão da origem do Tai Chi Chuan descreve seu nascimento no seio da família Chen com o Mestre Chen Wanting à 300 anos atrás.

Historicamente temos 5 estilos de Tai Chi Chuan; Chen, Yang, Wu, Wu e Sun. É importante saber que o nome de cada estilo surge desde o nome de seu criador e que na verdade, a palavra "estilo", na China praticamente não se usa. Em chinês, quando se referem ao Tai Chi Chuan as pessoas literalmente dizem Tai Chi Chuan da família Chen ou Tai Chi Chuan da família Yang e assim por diante.

Desta feita, os criadores de cada um dos 5 estilos principais em ordem cronológica de aparecimento reconhecidos como tal na China atual são:

Estilo Chen – Chen Wang Ting
Estilo Yang – Yang Lu Chang
Estilo Wu – Wu Yuxian
Estilo Wu – Wu Jian Quan
Estilo Sun – Sun Lu Tang

Estilo Chen

Nome do local original de nascimento: Vila Chenjagou, Condado Wen, província Hunan.
Criador: Mestre Chen Wanting
Caracteríeticas especiais: alterna movimentos lentos e rápidos, inclui saltos e explosões nos movimentos e pisadas vigorosas. A Velha Forma, foi desenvolvida a partir da 17a. Geração da Família Chen.

Estilo Yang

Nome do local original de nascimento: cidade Guangfuzhen na área de Guangpingfu; Condado de Yongnian, província de Hebei + - 200 anos atrás.
Criador: Mestre Yang Lu chan que aprendeu com Mestre Chen Changxing 14a. geração da Família Chen.
Características especiais: movimentos suaves, lentos, velocidade homogênea, sem alteração de alturas, movimentos longos e grandes.

Estilo Wu/Hao

Nome do local original de nascimento: cidade de Guangfu, condado de Yongnian. Província Hebei.
Criador: Mestre Wu Yuxiang que aprendeu com os Mestres Yang Luchan + Yang Banhou + Chen Qingping.
Características especiais: lento, suave, com posturas pequenas e altas. Sua forma é menor.

Estilo Wu

Nome do local original de nascimento: desconhecido.
Criador: Mestre Wu Jian Quan que aprendeu com seu pai Wu Quanyu que aprendeu com Yang BanHou
Características especiais: Eles inclinam o corpo para o lado, mas quando inclinam, pensam em estar eretos.

Estilo Sun

Nome do local original de nascimento: desconhecido.
Criador: Mestre Sun Lutang que aprendeu com o Mestre Hao Weijian.
Características especiais: seus movimentos combinam 3 estilos de artes marciais: Estilo Wu de Tai Chi Chuan + Hsing I + Ba Gua.

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Tai Chi - história

Por Waysun Liao autor do Livro Tai Chi Classics

O que é Tai Chi?

Tai Chi é um modo de vida que tem sido praticado pelos Chineses por milhares de anos. Nós devemos observar dentro de três áreas de maneira a compreender completamente a história do Tai Chi:

1) seu fundamento filosófico,

2) como se desenvolveu como uma arte marcial e

3) como a instrução do Tai Chi tem sido passada de geração a geração.

Para aqueles que estão interessados na herança rica e viva da cultura Chinesa e especialmente aqueles que desejam se comunicar e compreender as pessoas do outro lado do globo, é necessário estudar a filosofia do Tai Chi: este pensamento imenso e poderoso que exerce sua influencia sobre toda a história oriental. Podemos agradecer a muito pouco indivíduos que nas sucessivas gerações de transmissão, dedicaram-se de forma inegoísta a manter o espírito do Tai Chi vivo. Primeiro temos que deixar de lado algumas crenças que herdamos. Os seres humanos, sabendo que não são perfeitos, desejam a perfeição e procuram por uma vida melhor. Historicamente o povo sempre cometeu erros nesta busca porque compreendeu mal a natureza e o potencial da vida humana. Cada geração interpretou este potencial de forma diferente; alguns criaram crenças religiosas enquanto que outros ignoraram ou mesmo até negaram o valor da vida humana. Como várias hierarquias sociais e organizações se desenvolveram e se tornaram tradições, erros fundamentais continuam a ser cometidos. Estes se acumulam e são freqüentemente perpetuados como uma tradição. Se nós seguimos nossas próprias tradições inocentemente, talvez algum dia nos daremos conta de termos cometido mais um erro; o erro de não questionar nossas tradições.

Mesmo que nossa tecnologia moderna tenha trazido a era espacial, a motivação da vida humana continua misteriosa. As aquisições humanas parecem muito pequenas à luz do progresso histórico da civilização. E ainda nossas teorias de evolução são duvidosas; apesar de toda a tecnologia ainda olhamos para o céu imenso e questionamos como será que tudo isso apareceu.

Quando olhamos com orgulho e contentamento para um jumbo cruzando os céus com suas asas, é também muito fácil esquecer que seu vôo é uma imitação dos pássaros, ou meramente o uso de princípios de aerodinâmica que são milhares de anos mais velhos que o primeiro ser humano que andou sobre a terra. Nosso avanço da tecnologia médica, nos permite alcançarmos o nível sofisticado de transplantes de órgãos, mas ainda sucumbimos as mais primitivas necessidades: precisamos respirar e comer para sobreviver.

Nós, os habitantes humanos desta terra, podemos chegar a compreender que fundamentalmente nós não progredimos muito mais que os habitantes originais do planeta. Podemos chegar a perceber que nós não podemos fazer muitas mudanças em nós mesmos.

Uma olhada atenta a nossa história mundial revela ciclos óbvios nos quais o desenvolvimento da pessoa total era ou enfatizado ou ignorado completamente. Quando a natureza humana ideal foi enfatizada, isto criou uma civilização forte e criativa, onde a sociedade progrediu e o povo tornou-se espiritualizado. Ainda assim, muitos erros foram cometidos durante esta jornada.

Há muitos milhares de anos atrás, tal idealismo emergiu na China. Os Chineses deste período estavam procurando por uma forma de vida superior, em seu aspecto mental e físico. Com sua maneira única, eles atingiram seu objetivo, diferentemente das civilizações ocidentais que separaram o corpo da mente e permitiram o desenvolvimento espiritual apenas em termos de religião e êxtase místico.

Os Chineses conceberam a mente humana como algo de dimensões ilimitadas, mas o campo de atividade humana, como algo moderado. O foco de seu objetivo era uma filosofia unificada da vida humana e uma simplificação das crenças. Este foi o nascimento daquilo que hoje conhecemos como pensamento Tai Chi. Tai Chi tornou-se o poder invisível que guiou os movimentos da história chinesa por milhares de anos. Deu um tremendo ímpeto aquela fabulosa cultura, mostrando sua influencia em áreas desde a medicina até a dietética, das artes a economia.

Mesmo a ordem das relações humanas era designada de acordo aos ideais Tai Chi.

Tai chi significa "o supremo". Isto significa melhorar e progredir em direção ao ilimitado; significa a existência imensa e o grande eterno. Todas as várias direções em que a influencia do Tai Chi foi sentida, foram guiadas pela teoria dos opostos: o Yin e o Yang, o negativo e o positivo. Algumas vezes são chamados de princípio original. Também acreditava-se que as várias influencias do Tai Chi apontavam em uma direção só: em direção ao supremo.

De acordo a teoria do Tai Chi, as habilidades do corpo humano são capazes de ser desenvolvidas além de seu potencial normalmente concebido. A civilização pode evoluir aos mais altos níveis de aquisição. A criatividade não tem fronteiras de qualquer tipo e a mente humana não deve ter restrições ou barreiras para desenvolver suas capacidades.

Se atinge o nível supremo, ou se desenvolve naquela direção através da escala dos poderes equilibrados e seu movimento natural; Yin, o poder negativo (repouso), e Yang o poder positivo (ação). Desde o ponto de vista desta teoria, é a inter relação de forças construtivas ou destrutivas que faz com que a essência da vida se materialize, e que o mundo material se manifeste. E os movimentos espiralados destas forças parece infinito.

O fato dos poderes Yin e Yang serem opostos e ainda complementarem-se mutuamente, tem confundido muitos através da história.

Explicações sobre o significado da vida surgiram da teoria de que os seres humanos já nascem com um pecado que faz parte de sua natureza através da hipótese de que não é a educação e sim o medo da punição que cria uma boa pessoa, sob a visão de que se não houvesse civilização de qualquer espécie, não haveria mal no mundo.

O simples fato de que há argumentos já revela que a verdade do conceito de que dois poderes equilibrados existem. Nosso universo é programado de tal maneira que os dois poderes inter cambiam sua essência, e a existência surge daí.

Esta lei natural, óbvia como é, é ignorada pela maioria dos seres humanos. Nós podemos facilmente racionalizar nossa ignorância com a desculpa de nós estamos programados para possuir apenas um dos dois poderes; seja macho ou fêmea, por exemplo.

Esta tendência humana para ignorar todos os outros aspectos e focalizar apenas um lado das questões foi o que deu origem na civilização ocidental, a adoração religiosa. A religião ocidental, sem dúvida alguma, estabilizou a civilização e a ordem social por milhares de anos, mas elas também deram surgimento a uma série de guerras sangrentas e trágicas, entre as diferentes facções religiosas. As religiões formais eram freqüentemente extremistas e dogmáticas em suas atitudes. Elas procuravam dominar pela força e não promover a harmonia. Elas exerceram uma influencia tão forte que os humanos não podem livrar-se facilmente dela, ocasionando assim uma onda de pensamentos poluídos por aqueles efeitos e que persistem até hoje em dia.

No século dezesseis houve muitos pensadores livres tais como Galileu que tentaram iluminar as pessoas, mas a religião os manteve no anonimato. Falar e pensar não era suficiente; mudanças no estilo de vida eram necessárias. Assim a era cultural obscurantista a Idade Média, foi quebrada apenas pela Revolução Industrial, que em troca, trouxe o dogmatismo. Este dogmatismo está agora sendo eclipsado pelas gerações de mentes livres de hoje. Os movimentos para os direitos da mulher é uma indicação do fato de que o poder da mulher, o Yin, o negativo, tem sido ignorado, abusado, depreciado, oprimido e mal entendido por séculos. As contribuições do poder negativo são tão importantes como as do poder positivo, assim como a função da eletricidade consiste de dois poderes opostos.

Os Chineses há muito compreenderam que os dois poderes elementais do Tai Chi devem interagir e que o resultado harmonioso pode trazer progresso e desenvolvimento ilimitado. Ainda assim, eles não tiveram melhor sorte na utilização de seu conhecimento que os Ocidentais. Enquanto o povo ocidental esta liberando-se das sombras do idealismo religioso e criando a oportunidade de experimentar as realidades dos princípios do Tai Chi, os Chineses ainda não foram capazes de liberar-se da poluição mental de sua própria influencia cultural Tai Chi.

Há 2000 anos atrás na China, nas idades da Primavera e Outono, o princípio Tai Chi começou a ser mal usado ou ignorado. Seguiram-se muitas centenas de anos de Idades Negras, durante as quais o desenvolvimento das relações humanas e o poder político se tornaram muito inferiores.

Tai Chi encoraja o preenchimento individual da pessoa e enfatiza que este objetivo deve ser atingido através de um modo de vida natural e moderado. Examinando a história chinesa encontramos que a um certo ponto, esta idéia começou a ser aplicada apenas em termos de poder político beligerante: ser uma pessoa suprema era ser o mais poderoso governador. A idéia de uma natureza simples humana foi ignorada.

A Dinastia Ching instituiu um modo de controle autoritário e escravagista que se tornou uma tradição através da história Chinesa. Para os governantes os poderes Yang, agressivos davam os benefícios, o poder supremo; enquanto que aqueles que eram cooperativos, obedientes e encorajavam a harmonia, ou seja, os que possuíam o poder Yin, eram forçados a subjugar-se. Mulheres eram educadas para serem fracas e inúteis, os designados escravos e homens eram treinados para serem seguidores do poder supremo que era, claro, o rei. Para se tornar o poder supremo, bastava usar a violência, o poder extremo de Yang. A competitividade e a agressividade eram encorajadas, mas controladas, tudo para o benefício dos governantes. Ironicamente foi esta tradição social que levou adiante os princípios Tai Chi por centenas de anos. Como conseqüência apesar do Tai Chi ser descoberto e iniciado na China tão primitiva, ele seguiu o mesmo triste destino que a Filosofia Ocidental.

Enquanto a religião estava por se tornar o centro da civilização Ocidental, era ignorada ou abusada na China. Apesar da religião Budista ter sido importada da Índia e então absorvida pela Cultura Chinesa, sua filosofia era negligenciada enquanto suas cerimônias e ritos se tornaram moda. No Budismo Chinês, o ideal de auto controle era enfatizado. O imperador usou este ideal para inibir as pessoas comuns de forma que a religião se tornou conhecida como "a ferramenta favorita do governante". A filosofia do Tai Chi entretanto oferecia crenças que preenchiam as necessidades humanas mesmo que seus ideais também tenham sido mal utilizados pelos poderosos.

Para os Chineses que receberam toda a influencia da cultura Tai Chi mas também, infelizmente, toda a poluição de um sistema social de poder abusivo, há muito o que ser aprendido com a cultura Ocidental. Os Ocidentais já se liberaram das amarras das influencias religiosas, e ainda estão tentando colocar seus ideais em prática. Realmente, todas as pessoas procuram pelo supremo hoje; nós procuramos um caminho pacífico, natural, um modo de motivar nossa civilização em direção do supremo. Coincidentemente, nossos ideais se unem aqueles do Tai Chi.

Há centenas de anos atrás, aqueles que procuravam por um modo de elevar o corpo e o espírito humano até seu nível supremo, desenvolveram um engenhoso sistema conhecido como Exercícios Tai Chi. Este sistema que foi inspirado nos princípios Tai Chi, que não eram claramente conhecidos ou compreendidos por seus fundadores, tem provado ser o mais avançado sistema de exercício físico e mental, jamais criado.

Enquanto a classe governante Chinesa estava interessada apenas nos benefícios produtivos do Tai Chi, aqueles que não se preocupavam com as autoridades, estavam adaptando a filosofia a seus estilos de vida pessoal. Eles aplicavam a idéia da harmonia natural ao desenvolvimento do corpo e da mente. Desde que isto tinha pouco interesse por parte dos governantes, não há uma evidencia histórica de quando exatamente o Tai Chi como um sistema físico e mental realmente começou.

Todas as artes tradicionais Chinesas, tais como a pintura, caligrafia, literatura, poesia, cozinha, enfatizaram o princípio Yin/Yang como um meio de atingir o supremo.

A filosofia completa do Tai Chi assim, tornou-se um aspecto integral destas artes. Entretanto, o sistema físico e mental do Tai Chi como disciplina, foi o único que explicitamente aplicou os princípios originais do Tai Chi de forma progressiva e organizada. Assim ele tornou-se hoje um sistema completa para preservar esta grande filosofia por centenas de anos, durando até nosso complicado mundo de hoje.

A SISTEMATIZAÇÃO DO TAI CHI CHUAN

Por milhares de anos, o sistema de governo na China foi baseado na brutalidade e na corrupção. Aqueles que se dedicavam a verdade, diziam-se Taoístas ou "Homens da Montanha", e eles viviam uma vida similar a dos monges. Eles levaram adiante o espírito da filosofia do Tai Chi e de forma alguma interferiram com as autoridades reinantes. Desde que o Tai chi formou seu próprio sistema independente e não tinha nada a ver com as estruturas políticas, foi capaz de desenvolver-se livremente, mesmo que em apenas pequenas comunidades isoladas de homens dedicados.

Enquanto estes grupos não tinham ligações com as autoridades governantes, seus estudos eram entretanto respeitados pelos governantes, primeiro como um corpo de conhecimento acumulado e mais tarde como uma forma de religião. Gradualmente Tai Chi veio a ser considerado uma forma altamente avançada de arte folclórica, para ser estudada exclusivamente pelos intelectuais e para ser passado de geração em geração.

Aproximadamente há 1700 anos atrás, um famoso medico Chinês, o doutor Hua-Tuo, enfatizou o exercício físico e mental como um meio de melhorar a saúde. Ele acreditava que os seres humanos deveriam exercitar-se e imitar os movimentos de animais tais como, pássaros, tigres, cobras e ursos, para recobrar suas habilidades originais de vida, que tinham sido perdidas. Assim ele organizou artes folclóricas de luta chamadas de a Luta dos Cinco Animais. Esta foi a primeira arte marcial sistematizada na China. Desde então, a Luta dos Cinco Animais tornou-se popular na China que a praticava como um exercício para a saúde.

Por volta de 475 D.C. Ta-Mo (Bodhidharma) veio para a China desde a Índia, para difundir seus ensinamentos religiosos e foi residir no Templo Shaolin na área de Tang Fung, no Norte da China. Além de obrigações religiosas e meditação, ele incluiu treinamentos físicos na rotina diária dos monges. Usou a Luta dos Cinco Animais para desenvolver em seus seguidores, uma disciplina de equilíbrio físico e mental. A dedicação ao Budismo, combinada com uma abundância no tempo para a prática, permitiu que a Luta dos Cinco Animais de desenvolvesse neste contexto numa arte marcial de alto nível.

Quando os seguidores de Ta-Mo difundiram suas crenças religiosas através da China, levaram junto consigo, sua Arte Marcial. O sistema desenvolvido pelos monges do Templo Shaolin tornou-se conhecido como o Sistema Arte Marcial Shaolin. Ele enfatizava tanto o fortalecimento físico como o desenvolvimento espiritual. Este foi o início do desenvolvimento sistemático das Artes Marciais externas na China.

O aspecto mental do sistema Shaolin era baseado principalmente na meditação Budista. Para os Chineses que se baseavam na filosofia sofisticada do Taoísmo e do Yin e Yang, esta era e ainda é considerada como um sistema simples de luta física.

Em 1200 D.C. o monge Taoísta Chang San-feng fundou um templo na Montanha Wu-tang, para a prática do Taoísmo, visando o supremo desenvolvimento da vida humana. Mestre Chang enfatizou a harmonia de Yin/Yang como um meio de melhorar o desenvolvimento da mente e da habilidade física, meditação natural tão bem como com movimentos naturais do corpo propulsados por uma energia interna que deveria ser desenvolvida a um certo nível de aquisição.

Desde que o sistema Shaolin tinha já sido difundido através da China por centenas de anos, a idéia de adaptar a teoria Taoísta a vida diária, ao invés de fazê-la de forma de adoração religiosa, foi facilmente aceita pela sociedade Chinesa. O pensamento Tai Chi e a sua filosofia Yin/Yang rapidamente se desenvolveram numa organização baseada no modelo do Templo Shaolin. Uma forma modificada de treinamento monástico foi adotada para promover o sistema sofisticado numa forma missionária.

Desta forma, o sistema do templo da Montanha Wu-tang enfatizou o poder interno e o desenvolvimento da sabedoria. Assim, os Chineses comumente se referiam ao sistema Tai Chi como o sistema interno, para distingui-lo do sistema de arte do Templo Shaolin.

Com o passar dos anos, também houve sistemas que combinaram elementos de ambos os sistemas, Tai Chi e Shaolin, de forma moderada no desenvolvimento de artes marciais. Estes hoje são conhecidos como o Hsing-I, o Sistema da Mente e da Forma, e o Pakua, o sistema de arte marcial dos Oito Trigramas.

Desde que um grande esforço e concentração, tão bem como firme dedicação, eram requeridas para se atingir qualquer nível de evolução no Tai chi, um sistema monástico rapidamente se desenvolveu e participar disto tornou-se um privilégio exclusivo. Aqueles que atingiram altos graus tornaram-se líderes do sistema e, seguidos por seus entusiastas, eles formaram um relacionamento de treino único entre mestre e discípulo.

Esta tradição teve um importante papel na passagem do conhecimento e da sabedoria do Tai Chi para a sociedade e o poder imenso de sua influencia foi capaz de fluir profundamente em todas as classes sociais. Suportado pelas pessoas comuns e as vezes até pelos imperadores (como quando o Mestre Chang San-feng foi convocado para dar conselhos aos governantes sobre a filosofia Taoísta), o templo do estilo Tai Chi adquiriu tão forte imagem, que o Tai Chi era a suprema arte da Vida. Mestres de Tai Chi eram observados como símbolo de sabedoria. Eles eram altamente respeitados especialmente por praticarem justiça, caridade, educação e artes de medicina.

Aqueles que praticavam Tai Chi às vezes tiveram grande importância no estabelecimento dos códigos morais da China. Por centenas de anos, os Chineses dependeram apenas destes códigos como as leis da terra. Estes códigos eram obedecidos por todos, mesmo pelos imperadores, e foram o fundamento da paz e da ordem social da civilização Chinesa.

Regras de conduta humana básica como a bondade, o respeito aos mais idosos, fidelidade aos pais, e amor próprio, eram praticados estritamente como se fossem leis escritas. Enquanto que as leis da sociedade industrial de hoje, não dizem nada, por exemplo, sobre a imoralidade de deserdar um pai idoso e necessitado, na sociedade Chinesa de centenas de anos atrás, tal ato era considerado uma ofensa muito séria e deveria ser severamente punida.

Seguidores do Tai Chi acreditavam que o povo deveria se disciplinar para ser espiritual, saudável, bom e inteligente; ser responsável e auxiliar os outros para atingir graus maiores de desenvolvimento; amar a verdade; lutar ferozmente contra a imoralidade e a injustiça e proteger os necessitados e os fracos. Foi com estes objetivos na mente que o aspecto da arte marcial do Tai Chi se desenvolveu e foi enfatizado.

As teorias Tai Chi foram facilmente aplicadas às artes marciais. Mente e corpo em harmonia com a ordem natural das coisas era a regra do Tai Chi. Isto ofereceu uma direção e desenvolvimento completamente diferente das outras formas técnicas de luta. O Tai Chi também desenvolveu alguns resultados em termos de habilidades humanas que surgem do poder da mente e assim tornou-se a arte marcial mais poderosa, que já foi conhecida.

Através da história da China, períodos de guerras incessantes forçaram a que os praticantes de Tai Chi se envolvessem em lutas comuns e ensinassem a população a se defender com a arte. Infelizmente os aspectos filosóficos da arte começaram a ser ignorados pela maioria do povo e as instruções se limitaram aos aspectos marciais.

Os verdadeiros e dedicados mestres permaneceram nas montanhas e junto com seus seguidores levavam uma vida monástica com o objetivo de manter a arte pura. Eles meditavam e praticavam diariamente para manter o espírito, a condição da mente e disciplinar o corpo e elevar a essência. Desta forma o sistema original foi preservado mais ou menos intacto, com as disciplinas da mente e do corpo sendo incluídas no treinamento.

Durante os tempos em que a paz era re-estabelecida, e a necessidade da auto defesa não era tão importante, aqueles que tinham ensinado a arte profissionalmente levavam adiante suas carreiras dedicadas, como uma espécie de negócio familiar. Eles ensinavam somente a aqueles que estavam seriamente interessados, especialmente qualquer um de seus filhos que tinham o interesse de estudar a arte como uma profissão. Medicina sobre ervas e acupuntura, também eram oferecidas para a comunidade local numa base caritativa. Apoio financeiro dependia das contribuições do povo local a que serviam e dos estudantes.

Os sobrenomes das famílias se associaram com os diferentes estilos do Tai Chi que foram sendo ensinados de boca a ouvido, de geração em geração, por exemplo o estilo Chen, o estilo Yang e o estilo Wu. Muitos destes são ainda conhecidos hoje. Cada estilo era distinto, mas todos seguiram os princípios Clássicos do Tai Chi. Hoje o estilo do templo Tai Chi é ainda considerado o sistema mais autentico, mas desde que rápidas mudanças da sociedade industrial deixam pouco espaço para tais sistemas sofisticados crescerem, ele declinou e desapareceu.

O estilo familiar do Tai Chi está também diminuindo.

Por volta de 350 anos atrás em 1644, os Manchurianos invadiram o império Chinês e estabeleceram a dinastia Ching. Apesar de que a dinastia foi fundada a força e para o benefício dos governantes, os Manchus foram absorvidos dentro da Cultura Chinesa. Eles adotaram o estilo de vida Chinês e reconstruíram a pacífica ordem da sociedade e começaram um período de governo corrupto que era para durar até o final dos séculos.

Nos estágios iniciais da dinastia, episódios de hostilidade e conflitos entre os Chineses e seus governantes Manchurianos eram muito sérios e até brutais. Mesmo que os Manchus tentassem duramente aprender a cultura e adaptar-se aos modos Chineses, os Chineses nativos os observavam como bárbaros. O sentimento de responsabilidade do povo com relação a sua nação foi diminuindo; resistência passiva e recusa em cooperar com os invasores, resultou na estagnação do desenvolvimento econômico do país. Quando os construtores do império Ching ouviram falar sobre a sofisticada arte do Tai Chi, convocaram os mestres mais famosos daquela época, Yang Lu-chang (1799-1872), fundador do estilo Yang ou do sistema da família Yang, para dentro do serviço real. Não querendo ensinar os Manchus, o Mestre Yang deliberadamente modificou as formas de meditação do Tai Chi, convertendo-a num tipo de movimento vagaroso, exercício externo e ignorando completamente a filosofia interna e a disciplina mental que é a chave do Tai Chi.

Mestre Yang sabia que se a família real soubesse da sua resistência em ensiná-los, e de todas as modificações que fez, o imperador iria retalhá-lo, talvez até matando sua própria família. Desta forma Mestre Yang percebeu que não podia confiar em ninguém; apenas em seus filhos e foi para eles, e mais ninguém que pode ensinar a arte genuína do Tai Chi. Desta forma ele evitou implicar quem quer que fosse em sua decisão pessoal de enganar a realeza.

Daquele tempo em diante, o estilo familiar do Tai Chi tornou-se mais restrito, com mestres ensinando a arte somente a seus parentes. Dizem que alguns mestres nem ensinavam a arte a suas filhas, pois quando casassem, o novo parente poderia estar ligado a família Imperial ou poderia ser alguém em quem o mestre não sentia confiança

Enquanto o estilo familiar decresceu, o estilo de exercício foi encorajado e praticado pelos membros da família imperial. Rapidamente este estilo de exercícios tornou-se um modismo entre as classes ociosas da China e permaneceu assim até o final da Dinastia Ching.

Quando a revolução de 1900 a 1910 aconteceu, acabando com os governantes corruptos, as famílias nobres, desprovistas de poder fugiram do país. O Tai Chi, é claro, viajou com eles. praticantes reclamaram a autenticidade de sua arte e eles começaram a afirmar que a arte lhes tinha sido ensinada pelos mestres da família Yang ou outras famílias, para que o público os respeitasse.

Desta maneira, a forma modificada do Tai Chi, tornou-se hoje, o Tai Chi Chuan, ou o tão chamado exercício Tai Chi. Este é o Tai Chi praticado publicamente na China hoje; é a Dança Tai Chi, também chamada de Ballet Chinês por alguns ocidentais.

Nestes tempos modernos, uma pessoa pode receber instruções e praticar a arte do Tai Chi por anos e independente do estilo que está sendo ensinado, ainda há uma boa chance de aprender apenas o "Tai Chi público". Em outras palavras, a maioria do Tai Chi praticado hoje não é o Tai Chi original e é ausente de significado.

Entretanto, as instruções forçadas do Mestre Yang Luchan, serviram para um propósito muito útil. Apesar do Tai Chi público ser meramente uma sombra do estilo clássico original do templo, ele oferece grandes oportunidades para que o povo Chinês e outros povos sejam apresentados a arte. Na realidade, se os governantes da Dinastia Ching não tivessem se interessado pelo Tai Chi, talvez ele tivesse desaparecido, na época do desenvolvimento da industrialização.

É quando uma pessoa torna-se séria, no estudo do Tai Chi que a busca pela arte autêntica dos templos começa.

Devemos então apreciar a coragem e a dedicação dos mestres que tem preservado a linhagem do Tai Chi dos templos através dos séculos. Esta á nossa herança.

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História - O Tae Kwon Do dos Coreanos

domingo, 10 de outubro de 2010.
Hoje, os esportes de lutas orientais são muito populares entre nós. Os ocidentes aderiram totalmente às chamadas artes marciais - Kung-Fu da China, o Karatê do Japão e o Tae Kwon Do da Coréia.

Nos tempos primitivos, não importa onde vivessem, os homens tinham que desenvolver técnicas pessoais de luta para obterem o alimento e se defenderem contra inimigos, inclusive animais selvagens. Tinham, também, que inventar armas, de forma a tornar efetiva a defesa e facilitar a subsistência.

Mesmo após a invenção das armas, contudo, o homem nunca deixou de promover o desenvolvimento do corpo e da mente, através da prática de diversas modalidades esportivas ou marciais, especialmente na forma de ritos religiosos.

O Tae kwon Do (pronuncia-se "tê-quan-dô"), cuja tradução significa "a arte de usar os pés e as mãos na luta", surgiu na Coréia, há cerca de 1.300 anos. É a mais antiga das artes marciais, tendo provavelmente originado ou influenciado no surgimento das outras, conforme alguns documentos históricos e gravuras encontrados em túmulos e paredes de templos naquele país.

Em 670 A.D., a Coréia era dividida em três Reinos: Silla, Kogurryo e Baek Je. Silla, o menor deles, era constantemente invadido e saqueada pelos dois vizinhos e, durante o reinado de Chin Heung, os jovens aristocratas e os militares formaram uma tropa da elite, chamada Hwa Rang-do (similar aos samurais, no Japão, e aos cavaleiros andantes da Idade Média, no Ocidente). Essa tropa guerreira - em complemento ao treino normal com lanças, arco e flecha, espada - também se adestrou na prática da disciplina mental, física e em várias formas de lutas com os pés e as mãos - o Soo-Bak e outras. Para endurecer os corpos, escalaram montanhas escarpadas, nadaram em rios turbulentos nos meses frios e difundindo técnicas com uso de chutes enfatizando a maior potência dos membros inferiores, obtendo maior êxito nas batalhas contra os invasores: o treinamento se resumia em golpes contundentes ao ponto de atingir os inimigos além das armaduras feitas de bambu, concentrando-se impiedosamente na tarefa de defender sua terra. Seu código de honra (ou espírito do Hwa Rang-Do) era constituído de 5 Itens:


1 - Obediência ao Rei

2 - Respeito aos país

3 - Lealdade para com os amigos

4 - Nunca recuar ante o inimigo

5 - Só matar quando não houver alternativa

O Comandante do Hwa Rang-Do era o General Kim Yu Shim. E o Tae kwon Do nasceu oficialmente naquele ano, na cidade de Surabul (pronuncia-se "Soroból"), com o nome de Tae Kyon ("chuta pulando"). Hoje, Surabul tem o nome de Kyung-Ju.

Alguns historiadores porém, consideram o TAE KWON DO mais antigo ainda, pois o TAE KYON foi o aprimoramento de várias lutas antigas entre as quais o SOO BAK. Em 1935, um grupo de arqueólogos japoneses, pesquisando uma dessas tumbas, encontrou uma pintura que representava dois homens defrontando numa posição de SOO BAK. Referindo-se a esta e outras pinturas, o historiador japonês, Tatashi Saito, no seu livro "Estudo da Cultura da Coréia Antiga", diz o seguinte: "A pintura nos mostra que ou a pessoa ali enterrada praticava o TAE KWON DO em vida ou o povo da época praticava, ao lado de danças e cantos, com o propósito de consolar a alma dos mortos".

A época de construção das tumbas foi o período que vai de 3 A.D. a 427 A.D., durante o qual a província de Hwan-Do permaneceu como a capital do Koguryo. Pode deduzir-se daí que os coreanos praticavam o TAE KWON DO naquele período.

Algumas pessoas acreditam que o TAE KWON DO tenha se originado do KUNG FU, a arte chinesa de defesa pessoal. Conforme manuscritos chineses, acredita-se que tal arte tenha origem, como uma espécie de exercício físico, quando o famoso monge budista Daruma Daesa o ensinou aos monges de Xaolin, templo budista do condado de Tungpung, na província de Ho-Nam na China. Daruma chegou à China por volta de 520 A.D. e ali passou nove anos, no templo Xaolin, onde introduziu a prática do KUNG-FU, cujo nome significa "estudo", "sabedoria", "habilidade", ou ainda "arte marcial".

Se lembrarmos que as pinturas murais de TAE KWON DO encontradas nas tumbas datam do período entre 3 e 427 A.D. concluiremos que é impossível o TAE KWON DO dever sua origem ao KUNG-FU chinês.

Outros pensam ser o TAE KWO DO um estilo ou variedade do KARATÊ, a arte marcial japonesa. Não se sabe, contudo, as origens exatas do KARATÊ. Existem duas correntes de pensamento. Uma diz que um mestre chinês chamado Chen Yuan Pin, que teria vivido nos fins da dinastia Song, (cerca de 1.100 A.D.), teria se naturalizado japonês e ensinado técnicas de KUNG-FU ao povo daquele país. Outra afirma ser o KARATÊ uma forma desenvolvida do OKI-NAWA-TE, luta praticada pelos habitantes de Okinawa.

A origem de OKINAWA-TE também é desconhecida. Os Arquivos - Históricos de Chosun (Dinastia YI) dizem apenas que "enviados das ilhas Ryu-Kyu (Okinawa) vinham, frequentemente, pagar tributos aos Reis de Chosun (Coréia).

Aquela época, como vimos anteriormente, o SOO BAK (forma de TAE KWON DO) tinha grande popularidade, donde é lícito supor que os enviados de Okinawa tenham aprendido o SOO BAK e o introduzido em seu país. Tal especulação é tanto mais lógica quando lembramos que o "NUL" (modalidade folclórica coreana) foi igualmente adotado, nas mesmas condições, pelo povo de Okinawa.

Donde se conclui, portanto, que o KARATÊ japonês seria derivado do TAE KYON ou SOO BAK, formas primitivas de TAE KWON DO.

Todos estes fatos demonstram que o TAE KWON DO não é apenas uma técnica originária da Coréia - ele também se desenvolveu independentemente durante longo período histórico.

O Karatê conseguiu mais projeção e popularidade porque, de 1909 a 1945, a Coréia foi invadida e ocupada pelo Japão.

Durante esses 36 anos da ocupação japonesa, toda a cultura coreana permaneceu estagnada, pois os invasores proibiram a prática do Tae Kyon além de outras artes. Foi neste período que o Karatê começou a ser difundido pelo mundo, tendo sido introduzido na Coréia em 1921.

Quando o Japão foi derrotado na Segunda Guerra Mundial (1945), os coreanos voltaram a treinar o Tae Kyon de forma ostensiva (pois nunca deixaram de treinar clandestinamente) e, dez anos depois, durante a Guerra Choi Hong Hi, juntou esforços e, após diversas dissidências, conseguiu em 1955, a união das diversas escolas e estilos, sendo adotado o nome de Tae Kwon Do.

O 1º Campeonato de Tae Kwon Do no mundo só foi realizado em 1964, na Coréia. E explica-se da seguinte maneira: o Tae Kwon Do foi criado para a desfesa de seu país, e sua filosofia não era a luta. Só se empregava como último recurso. Mas como o Karatê e outros esportes motivavam o público através de torneios e competições, os dirigentes do Tae Kwon Do, no intuito de divulga-lo começaram também a criar competições.

Divulgação Judo Familia Fontes
Fonte: ABTDKDM
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A Origem das Faixas Coloridas no Aikido Por Don Cunningham

terça-feira, 5 de outubro de 2010.
Tradução feita por Cristiano Lobo – Instituto Takemusu Dojo Central
Lendas e mitos floresceram junto com a prática de artes marciais, tais como o judo e o karate, desde o começo. Ainda, parece não haver significância maior do que aquela associada com as origens místicas da cobiçada faixa preta. Para o espanto de muitos praticantes de artes marciais, a história da faixa preta é um tanto pequena no contexto geral...

Muitas histórias existem a respeito da honrada faixa peta em vários estilos de artes marciais. Uma das mais comuns que se ouve é a de que o artista marcial novato começou tradicionalmente com uma faixa branca. Como ele treinou e praticou durante anos, a faixa tornou-se suja, primeiramente marrom e finalmente preta assim que aperfeiçoou suas habilidades marciais. Apesar dessa extraordinária metáfora ter sido fornecida com um pouco de folclore, infelizmente, não se tem nenhuma fonte verídica. As faixas coloridas nunca fizeram parte da antiga tradição das artes marciais.

Na verdade, a faixa preta foi usada primeiramente para designar a habilidade ou o grau no Judo Kodokan há pouco mais de cem anos. O Dr. Jigoro Kano, um educador e entusiasta do esporte, foi o primeiro a usar a faixa preta como um símbolo para os estudantes graduados e possuidores de Dan em sua escola, a Kodokan, fundada em 1882, em Tokyo. Antes disto, as escolas de Jujutsu, como a maioria das outras escolas de artes japonesas tradicionais, utilizavam o complicado sistema de Menkyo como uma forma de licenciar os estudantes aos níveis técnicos de habilidades particulares.

Uma compreensão do sistema educacional japonês e das circunstâncias sociais requerem uma perspectiva histórica. O treinamento sistemático de guerra e de armas desenvolveu-se primeiramente nas tradições marciais, escolas, ou estilos (ryu ha) entre os séculos 11 e 15. Os Samurais reuniram-se em clãs, centrados em torno das famílias ou regiões, para o treinamento de armas específicas e técnicas marciais. Assim que o treinamento se tornou mais distinto e individual, os estilos marciais ou escolas (bujutsu ryu) começaram a se formar no início do período Tokugawa (1600-1868).

Antigas artes marciais do Japão foram eventualmente classificadas em dezoito ramificações diferentes, como mencionadas no Bugei Ju-Happan. Basicamente, estas categorias são: kyujutsu, hojutsu, tantojutsu, naginatajutsu, mojirijutsu, bajutsu (horsemanship), sojutsu, shurikenjutsu, ganshinjutsu, toritejutsu, kusarigamajutsu, bojutsu, shinobijutsu, suijutsu, kenjutsu (swordsmanship), battojutsu, jutte-jutsu, jujutsu. Paralelamente, muitas escolas de outras artes, tais como a caligrafia (shodo), pintura (sumi-e), ou as formas de cerimônia do chá (chado), foram criadas também para disseminar suas técnicas e estilos distintos. Estas escolas também usaram o sistema do Menkyo para licenciar seus graduados.

Geralmente os estudantes destes antigos ryu ha foram primeiramente licenciados como Shoden. Seus rankings progrediram então com Chuden, Okuden/Mokuroku, Menkyo, e finalmente, Menkyo Kaiden, o último significado, literalmente, "licença da transmissão total." Entretanto, cada ryu ha seguiu seus próprios critérios para licenciar estudantes. A seqüência particular e mesmo os vários títulos eram frequentemente diferentes entre si.

As Graduações (rank) eram designadas geralmente por certificados especialmente criados ou por cartas escritas à mão do professor ou fundador. Frequentemente, os níveis mais elevados eram acompanhados da apresentação de um Densho, pergaminhos de instruções manuscritas ou de registros dos segredos dos fundadores das várias escolas. Alguns Densho forneciam instruções detalhadas e ilustrações gráficas de técnicas particulares. Outros usavam palavras e/ou caracteres descritivos que serviam como uma ajuda à memória para técnicas avançadas (memória minemônica). Os últimos documentos originais eram sem sentido às pessoas não familiarizadas com a linguagem particular dos ryu ha.

Devido à natureza sigilosa dos vários ryu ha e seus instrutores, o sistema de graduação do menkyo teve várias desvantagens. Primeiramente, não havia nenhuma maneira de avaliar ou comparar níveis de habilidade equivalentes dos graduados das escolas diferentes. Adicionalmente, as etapas entre licenças separadas podiam levar o praticante a qualquer lugar de alguns meses a diversos anos, dependendo da filosofia ou do estilo particular do professor.

Em sua juventude, Kano aprendeu primeiramente as bases do jujutsu de Teinosuke Yagi. Mais tarde, estudou o jujutsu de Tenshin Shinyo Ryu sob Hachinosuke Fukuda e Masatomo Iso, bem como o jujutsu Kito Ryu sob Tsunetoshi Iikubo. Foi iniciado nos segredos de ambas as escolas.

Após ter fundado sua própria escola; o Kodokan em 1882, Dr. Kano fez também estudos acadêmicos de muitos outros estilos do jujutsu. Além a visitar e praticar com os mestres ainda vivos, examinou com cuidado o Densho dos outro ryu ha de jujutsu. Logo depois que se decidiu dar forma a seu próprio estilo de jujutsu, Dr.. Kano revisou também o sistema de graduação (ranking), criando dez etapas com os intervalos relativamente curtos para manter os estudantes de judo interessados em progredir através dos vários níveis técnicos.

Em 1883, o Dr. Kano dividiu seus estudantes em dois grupos, dos não-graduados (mudansha) e dos graduados (yudansha), de acordo com Naoki Murata, diretor do museu de judo do Kodokan. Os primeiros yudansha, ou grau Shodan, eram dois estudantes famosos no Kodokan nesse tempo, nomeados Tsunejiro Tomita e Shiro Saigo. Estes dois estudantes foram também os primeiros promovidos a segundo dan um ano mais tarde.

Shiro Saigo, imortalizado no romance de ficção de Tsuneo Tomita, o "Sugata Sanshiro," e nas adaptações nos filmes de Akira Kurosawa (década de 40) sobre os infames torneios entre o judo e o jujutsu, pulou o terceiro dan e foi promovido diretamente a quarto dan no ano seguinte, em 1885, relata Muraka. Neste período, todas as graduações de Dan foram anunciadas diretamente pelo Dr. Kano ou fixadas em placas no Kodokan.

As faixas pretas não foram usadas como símbolos de graduação Dan no Kodokan até 1886 ou 1887, relembra Muraka, sobre a época dos torneios metropolitanos da polícia de Tokyo entre a escola de jujutsu fundada por Hikosuke Totsuka e pelo Kodokan do Dr. Kano. Após a vitória decisiva do Kodokan, os certificados ou os diplomas não foram emitidos pelo Kodokan até 1894, quase onze anos após a criação do sistema de graduação Dan do judo.

Eventualmente, a habilidade ou o nível do judoka vieram a ser denotados pelas faixas coloridas usadas em torno da cintura com o judogi. No Japão, as faixas brancas são geralmente usadas por todas as graduações de kyu, embora algumas escolas usem também a faixa marrom para indicar os níveis mais elevados do kyu. As faixas azul, amarela, alaranjada, verde, e roxa usadas pelos níveis intermediários do kyu tiveram origem na Europa e foram importadas para o sistema dos Estados Unidos durante o início dos anos 50.

As faixas pretas são tradicionalmente usadas pelos praticantes competitivamente graduados, primeiro dan (shodan) até o quinto dan (godan). Uma faixa vermelha e branca é usada pelos níveis merecidos pelo serviço prestado ao judo, sexto dan (rokudan) até o oitavo dan (hachidan), e as faixas inteiramente vermelhas são reservadas para o nono dan (kudan) e o décimo dan (judan).

O karate incorporou ambos os sistemas, a graduação Dan e o uso da faixa preta, quando Gichin Funakoshi, o mestre do karate de Okinawa, primeiramente demonstrou e mais tarde ensinou a base de sua arte marcial de Okinawa no Japão durante a década de 20 no Kodokan. O sistema de graduação Dan foi eventualmente incorporado ao Kendo (a arte da espada), ao Aikido, e à maioria das outras artes tradicionais.

A origem das faixas coloridas, bem como, o significado das cores particulares, ainda é encoberta de mistérios, e pode permanecer perdida na história. Embora não tenha deixado nenhuma razão registrada para as várias cores usadas, o Dr. Kano deixou alguns indícios. De acordo com sua doutrina filosófica, não há limites para as melhorias e para o progresso que se pode ter no seu treinamento de judo. Assim, o Dr. Kano acreditou que se alguém conseguisse um estágio mais elevado do que o décimo dan, retornaria conseqüentemente à faixa branca, terminando desse modo o círculo completo do judo, como o ciclo da vida.

No caso desta eventualidade, deve-se salientar que o Kodokan decidiu que a faixa usada por tal pessoa deveria ser aproximadamente duas vezes mais larga que a faixa comum, para impedir que os novatos confundissem o significado. Até agora, o Dr. Kano é a única pessoa com a graduação de décimo segundo dan e com o título de Shihan.

O Dr. David Matsumoto, autor de “An introduction to Kodokan history and philosophy", cita uma combinação de duas possibilidades para o uso tradicional das faixas brancas, o significado simbólico da cor e dos aspectos práticos da produção do uniforme.

“Primeiramente, o branco teve um significado especial, simbólico na cultura japonesa por séculos”, Dr. Matsumoto escreve. "O povo japonês considera geralmente a cor branca como sendo o reflexo da pureza divina desde épocas antigas."

Assim, as faixas brancas podem ser mais apropriadas para refletir a pura inocência e virtude dos iniciantes, de acordo com o Dr. Matsumoto. Pode também refletir a seleção do algodão usado no material do judogi. Após o uso e lavagem freqüente, o material colorido ou amarelo natural do algodão tende a tornar-se branco.

Uma suposição não-autêntica a respeito das faixas pretas usadas pelos níveis Dan é que o Dr. Kano emprestou o conceito dos esportes japoneses das escolas de ensino médio. Os competidores avançados eram separados dos novatos em torneios de natação por uma fita preta usada em torno da cintura. Como um distinto educador e entusiasta dos esportes, o Dr. Kano estava certamente ciente desta tradição e pode tê-la incorporado em suas práticas no Kodokan.

A seleção das faixas vermelhas e brancas para distinguir os níveis mais elevados pode também ter sido baseada em uma preferência cultural simples, de acordo com Meik Skoss, um notável historiador das artes marciais e autor de artigos numerosos sobre artes marciais japonesas. Os Japoneses dividem tipicamente grupos em lados vermelhos e brancos, baseados em um evento histórico pivotante. A Genpei War era uma disputa entre dois clãs rivais, o Genji e Heike. O Genji usava as bandeiras brancas para identificar suas tropas no campo de batalha, enquanto o Heike usava bandeiras vermelhas.

Como exemplos, o Sr. Skoss aponta o semestral jogo Kouhaku Shiai do Kodokan, onde os estudantes de judo são divididos em dois grupos, vermelhos e brancos. Esta competição teve início logo depois que o Kodokan foi formado e transformou-se em um evento tradicional. Além do mais, os competidores no judo moderno são distinguidos por uma faixa branca ou vermelha na cintura, enquanto que os competidores do kendo são identificados por um tasuki vermelho ou branco, uma fita pequena amarrada à parte traseira da armadura.

Dr. Kano tinha uma afinidade particular por idiomas e grande interesse acadêmico em literatura clássica Chinesa, especialmente o I Ching, ou Livro das Mutações. O I Ching é basicamente uma coleção de sabedorias morais e políticas baseadas no conceito dos opostos mútuos, o Yin e o Yang. A escolha das faixas vermelhas e brancas feita pelo Dr. Kano deve ter sido uma representação simbólica do princípio da harmonia indicado pelo equilíbrio de Yin e Yang.

Por outro lado, a criação do sistema de graduação Dan do Dr. Kano deve ter representado uma rejeição radical à cultura japonesa e uma maneira deliberada de diferenciar seu novo e melhorado sistema, dos estilos tradicionais de Jujutsu, de acordo com Skoss.

" A era Meiji foi uma época de grandes mudanças sociais, econômicas e políticas – e Kano estava certo no meio disso tudo," disse Skoss. "Ele foi um inovador em seus métodos e teve alguns problemas óbvios com a cultura feudal japonesa. Por exemplo, ele não ficava feliz com a maneira que muitos praticantes de jujutsu eram como os Punks das ruas, e que usavam o que tinham aprendido para extorquir dinheiro dos transeuntes ou para satisfazer seus egos distorcidos."

Como um educador e um racionalista, que desdenhou superstições sem fundamentos, Dr. Kano quis criar um sistema de treinamento que não fosse prejudicar o físico de seus alunos e também levasse ao desenvolvimento de um padrão moral elevado e um forte caráter individual. Ainda, ela estava em conflito com os ryu mais antigos de Jujutsu, mas, sentiu muito que a tradição cultural tinha sido validamente preservada . Sua adoção de um sistema novo de graduação deve ter sido uma rejeição às tradições do Jujutsu e uma preservação da hierarquia tradicional japonesa.

" A sociedade japonesa é verticalmente estruturada" Skoss explica. "Um forte senso de posição relativa está presente em toda a interação social, e símbolos de graduação também tem sido parte de uma cultura voltada para o período Heian e até mesmo antes."

Skoss citou a adoção dos níveis de hierarquia encontrados nos mais antigos relatos da soberania Imperial Japonesa, bem como os chapéus coloridos denotando níveis e fortes regulamentações indicando relações de graduação durante esses períodos. A utilização das faixas coloridas pelo Dr. Kano para denotar níveis de graduação deve ter sido desenvolvida a partir dessas tradições, de acordo com Skoss.

Seja qual for a razão, a obtenção da faixa preta ainda representa uma significante evolução em habilidades técnicas e habilidades competitivas para a maioria dos Judokas de todo o mundo. Contudo, como todos os Judokas graduados com Shodan rapidamente aprendem, isto também representa um passo inicial no caminho para uma consciência superior e um grande aperfeiçoamento, e que pode levar uma vida inteira de dedicação.

NOTA DA TRADUÇÃO: No Instituto Takemussu, quando o praticante chega em torno do 3 Kyu, o Sensei Wagner Bull faz uma avaliação e se percebe que a pessoa sabe cair muito bem, e os movimentos do Aikido estão já incorporados em seus reflexos, e tambem se a pessoa mostra amor e dedicação pelo Aikido, recebe então o direito de usar o Hakama!. Assim no Instituto Takemussu a pemissão do uso do Hakama significa que o Aikido já “entrou no sangue” do praticante.

Judo Familia Fontes

Fonte: Elton Silva
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A HISTÓRIA DO KARATÊ (FINAL)

sábado, 2 de outubro de 2010.
A morte de Yoshitaka

Foi então que Gigo , também conhecido como Yoshitaka, dependendo como se pronuncia os caracteres de seu nome, filho de Funakoshi, um jovem e promissor mestre de Karate no seu próprio direito, aquele que Funakoshi estava contando para substituí-lo como instrutor do Shotokan, pegou tuberculose em 1945 e veio a falecer enquanto teimosamente recusa-se a comer a ração americana dada ao povo faminto.
Funakoshi e sua esposa tentaram viver em Kyushu, uma área predominantemente rural, sob a ocupação americana no Japão mas, em 1947, ela morre, deixando Funakoshi retornar a Tokyo para reencontrar seus alunos de Karate que ainda viviam. Depois que a guerra havia acabado, as artes militares haviam sido completamente banidas. Entretanto, alguns dos alunos de Funakoshi tiveram sucesso em convencer as autoridades que o Karate era um esporte inofensivo. As autoridades americanas concederam, mais por causa que naquela época eles não tinham idéia do que Karate fosse. Além disso, alguns homens estavam interessados em aprender as artes militares secretas do Japão, então as proibições foram eliminadas completamente em 1948.
Em maio de 1949, os alunos de Funakoshi movem-se para organizar todos os clubes de Karate universitários e privados numa simples organização, e eles a chamaram de Nihon Karate Kyokai (Associação Japonesa de Karate). Eles nomearam Funakoshi seu instrutor chefe. Em 1955, um dos alunos de Funakoshi consegue arranjar um dojo para a NKK.

Uma lição para o mundo

Em 1957, Funakoshi tinha 89 anos de idade. Ele foi um professor de escola primária e um professor de Karate. Ele se mudou para o Japão em 1922 (o que não é um pequeno ato de coragem) e trouxe consigo o Karate, dando ao Japão algo de Okinawa com seu próprio jeito pacifista. No processo, ele perdeu um filho, sua esposa, o prédio que seus alunos fizeram para ele, seu lar, e qualquer esperança de uma vida pacífica. Ele suportou uma Guerra Mundial que resultou em calamidade nacional, e ele treinou seus jovens amigos e conheceu suas famílias apenas para vê-los irem lutar e serem mortos pelas forças invencíveis dos Estados Unidos. Ele viu o Japão queimar, ele viu os antigos templos e santuários serem totalmente aniquilados, ele viu bombardeiros enegrecerem o Sol, e ele viu como um pilar de fumaça negra subia de cada cidade no Japão e envenenava o ar que ele respirava. Ele viu o Japão cair da glória para uma nação miserável, dependendo de suprimentos de comida e roupas dos seus conquistadores. O cheiro da fumaça e o cheiro dos mortos, os berros daqueles que foram deixados para morrer lentamente, o choro das mães que perderam seus filhos e esposas que nunca mais iriam ver seus maridos, o medo, o ruído ensurdecedor dos B-29's voando sobre sua cabeça aos milhares, os clarões como os de trovões por todo o país quando as bombas explodiam em áreas residenciais, os flashes de luz na escuridão, a espera no rádio para poder ouvir a voz do Imperador pela primeira vez, somente para anunciar a rendição, a humilhação de implorar comida aos soldados. Intermináveis funerais, famílias arruinadas e lares destruídos...
A lição mais importante que ele nos ensinou está expressa na história do modo que ele passou pelo dojo principal de Jigoro Kano, o fundador do Judo. Caminhando pela rua, ele parou e fez uma pequena prece quando passou pelo Kodokan. E, se estivesse dirigindo um carro, ele tiraria seu chapéu quando passasse pelo Kodokan. Seus alunos não entenderam porque ele estaria rezando pelo sucesso do Judo. Ele explicou: "Eu não estou rezando pelo Judo. Eu estou oferecendo uma prece em respeito ao espírito de Jigoro Kano. Sem ele, eu não estaria aqui hoje".

Gichin Funakoshi, o "Pai do Karate Moderno", faleceu no dia 26 de abril de 1957. No seu túmulo está gravada sua célebre frase: "Karate Ni Sente Nashi". O monumento está localizado no Templo Engakuji na cidade de Kamakura, Japão.

textos retirados de www.budokan.com.br

Por Elton Silva

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A HISTÓRIA DO KARATÊ (PARTE 3)

Funakoshi era Taoísta, e ele ensinava Clássicos Chineses, como o Tao Te Ching de Lao Tzu, enquanto ele estava vivendo em Okinawa. Funakoshi era profundamente religioso. Ele tinha muito medo de que o Karate se tornasse um instrumento de destruição, e provavelmente queria eliminar do treinamento algumas aplicações mortais dos kata. Então, ele parou de fazer essas aplicações. Ele também começou a desenvolver estilos de luta que fossem menos perigosos. Funakoshi teve sucesso ao remover do Karate técnicas de quebras de juntas, de ossos, dedos nos olhos, chaves de cotovelo, esmagamento de testículos, criando um novo mundo de desafios e luta em equipe onde somente umas poucas técnicas seriam legais. Ele fez isso baseado nos seus propósitos e com total conhecimento dos resultados.
Em 1936, Funakoshi mudou os caracteres Kanji utilizados para escrever a palavra Karate. O caracter "Kara" significava "China", e o caracter "Te" significava "Mão". Para popularizar mais a arte no Japão, ele mudou o caracter "Kara" por outro, que significa "Vazio". De "Mãos Chinesas" o Karate passou a significar "Mãos Vazias", e como os dois caracteres são lidos exatamente do mesmo jeito, então a pronúncia da palavra continuou a mesma. Além disso, Funakoshi defendia que o termo "Mãos Vazias" seria o mais apropriado, pois representa não só o fato de o Karate ser um método de defesa sem armas, mas também representa o espírito do Karate, que é esvaziar o corpo de todos os desejos e vaidades terrenos. Com essa mudança, Funakoshi iniciou um trabalho de revisão e simplificação, que também passou pelos nomes dos kata, pois ele também acreditava que os japoneses não dariam muita atenção por qualquer coisa que tivesse a ver com o dialeto caipira (interiorano) de Okinawa. Por isso ele resolveu mudar não só nome da arte mas também os nomes dos kata. Ele estava certo, e seus número cresceram mais ainda.
Funakoshi tinha 71 anos em 1939, e foi quando ele deu o primeiro passo dentro de um Dojo de Karate em 29 de Janeiro. O prédio foi feito de doações particulares, e uma placa foi pendurada sobre a entrada e dizia: "Shotokan". "Sho" significa pinheiro. "To" significa ondas ou o som que as árvores fazem quando o vento bate nelas. "Kan" significa edificação ou salão. "Shoto" era o pseudônimo que Funakoshi usava para assinar suas caligrafias quando jovem, pois quando ele ia escrevê-las se recolhia em um lugar mais afastado, onde pudesse buscar inspiração, ouvindo apenas o barulho do pinheiros ondulando ao vento. Esse nome dado ao Shotokan Karate Dojo foi uma homenagem de seus alunos.
A Segunda Guerra Mundial
Com a eminência de uma guerra pairando no ar, a necessidade de treinamento nas artes militares estava em crescimento. Jovens estavam se amontoando nos dojos, vindos de todas as partes do Japão. O Karate foi de carona nessa onda de militarismo e estava desfrutando de uma aceitação acelerada como resultado.
Finalmente, no dia 7 de dezembro de 1941, o Japão comete seu grande erro. O bombardeio das forças navais americanas em Pearl Harbor fora a gota d'água. Numa tentativa de prevenir que as embarcações americanas bloqueassem a importação japonesa de matéria-prima, os japoneses tentaram remover a frota americana e varrer a influência ocidental do próprio Oceano Pacífico. O plano era bombardear os navios de guerra e os porta-aviões que estavam no território do Hawaii. Isto deixaria a força da América no Pacífico tão fraca que a nação iria pedir a paz para prevenir a invasão do Hawaii e do Alasca. Infelizmente, o pequeno Japão não tinha os recursos, força humana, ou a capacidade industrial dos Estados Unidos. Com uma mão nas costas, os americanos destruíram completamente os japoneses na Ásia e no Pacífico.
Uma das vítimas dos ataques aéreos foi o Shotokan Karate Dojo que havia sido construído em 1939. Com a América exercendo pressão em Okinawa, a esposa de Funakoshi finalmente iria deixar a ilha e juntar-se a ele em Kyushu no Sul do Japão. Eles ficaram lá até 1947.
Os americanos destruíram tudo que estava em seu caminho. As ilhas foram bombardeadas do ar, todas as cidades queimadas até o fim, as colinas crivadas de balas pelos cruzadores de guerra de longe da costa, e então as tropas varreram através da ilha, cercando todo mundo que estivesse vivo. A era dourada do Karate em Okinawa tinha acabado. Todas as artes militares haviam sido banidas rapidamente pelas forças americanas.
Primeiro uma, depois outra bomba atômica explodiram sobre as cidades de Hiroshima e Nagasaki. Três dias depois, bombardeiros americanos sobrevoaram Tokyo em tal quantidade que chegaram a cobrir o Sol. Tokyo foi bombardeada com dispositivos incendiários. Descobrindo que o governo do Japão estava a ponto de cometer um suicídio virtual sobre a imagem do Imperador, cartas secretas foram passadas para os japoneses garantindo sua segurança se eles assinassem sua "rendição incondicional". O Japão estava acabado, a Guerra do Pacífico também, mas o pesadelo de Funakoshi ainda havia de acabar.

Por Elton Silva

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A HISTÓRIA DO KARATÊ (PARTE 2)

O Karate chega ao Japão
Gichin Funakoshi (1868-1957)
Em 1921, o então Príncipe Herdeiro Hirohito, em viagem para Europa, fez escala em Okinawa e assistiu uma demonstração de Karate, liderada por Funakoshi, e ficou muito impressionado. Por causa disso, no final desse mesmo ano, Funakoshi foi convidado para fazer uma demonstração de Karate em Tokyo, numa Exibição Atlética Nacional. Ele aceitou imediatamente, acreditando ser esta uma ótima oportunidade para divulgar sua arte. Sua demonstração de kata foi um sucesso.
Funakoshi pretendia retornar logo para Okinawa mas, depois da exibição, ele foi cercado de pedidos para ficar no Japão ensinando Karate.
Uma das pessoas que pediu para que ele ficasse foi Jigoro Kano , o fundador do Judo e presidente do Instituto Kodokan. Funakoshi resolveu ficar mais alguns dias para fazer demonstrações de suas técnicas no próprio Kodokan.
Algum tempo depois, quando se preparava novamente para retornar à Okinawa, foi visitado pelo pintor Hoan Kosugi, que já tinha assistido a uma demonstração de Karate em Okinawa e pediu que ele lhe ensinasse a arte. Mais uma vez sua volta foi adiada.
Funakoshi percebeu então que se ele quisesse ver o Karate propagado por todo o Japão ele mesmo teria que fazê-lo. Por isso resolveu ficar em Tokyo até que sua missão fosse cumprida.
No Japão, Funakoshi foi ajudado por Jigoro Kano, o homem que reuniu vários estilos diferentes de Jujutsu para fundar o Judo. Kano tornou-se amigo íntimo de Funakoshi, e sem sua ajuda nunca teria havido Karate no Japão. Kano o introduziu às pessoas certas, levou-o às festas certas, caminhou com ele através dos círculos sociais da elite japonesa. Mais tarde naquele ano, as classes mais altas dos japoneses se convenceram do valor do treinamento do Karate.
Funakoshi fundou um dojo de Karate num dormitório para estudantes de Okinawa, em Meisei Juku. Ele trabalhou como jardineiro, zelador e faxineiro para poder se alimentar enquanto ensinava Karate à noite.
O primeiro livro
Em 1922, a pedido do pintor Hoan Kosugi, Funakoshi publicou seu primeiro livro: "Ryukyu Kenpo Karate", um tratado nos propósitos e prática do Karate. Na introdução daquele livro ele já dizia que "...a pena e a espada são inseparáveis como duas rodas de uma carroça". O grande terremoto de Kanto em 1º de setembro de 1923 destruiu as placas de seu livro, e levou alguns de seus alunos com ele. Ninguém morreu com o tremor, os incêndios que provocaram as mortes. O terremoto ocorreu durante a hora do almoço, no momento em que cada fogão a gás no Japão estava ligado. Os incêndios que ocorreram a seguir eram monstruosos, e maioria da vidas perdidas se deveu ao fogo. Este livro teve grande popularidade e foi revisado e reeditado quatro anos após o seu lançamento, com o título alterado para: "Rentan Goshin Karate Jutsu".
Em 1925, Funakoshi começou a pegar alunos dos vários colégios e universidades na área Metropolitana de Tokyo e nos anos seguintes esses alunos começaram a fundar seus próprios clubes e a ensinar Karate a estudantes destas escolas. Como resultado, o Karate começou a se espalhar por Tokyo. No início da década de 30 haviam clubes de Karate em cada universidade de prestígio de Tokyo. Mas por que estava Funakoshi conseguindo tantos jovens interessados em Karate desta vez? O Japão estava fazendo uma Guerra de Colonização na Bacia do Pacífico. Eles invadiram e conquistaram a Coréia, Manchúria, China, Vietnã, Polinésia, e outras áreas. Jovens a ponto de irem para a guerra vinham a Funakoshi para aprender a lutar, assim eles poderiam sobreviver ao recrutamento nas Forças Armadas Japonesas. O seu número de alunos aumentou bastante.
Por volta de 1933, Funakoshi desenvolveu exercícios básicos para prática das técnicas em duplas. Tanto o ataque de cinco passos (Gohon Kumite) como o de um (Ippon Kumite) foram usados. Em 1934, um método de praticar esses ataques e defesas com colegas de um modo levemente mais irrestrito, semi-livre (Ju Ippon Kumite), foi adicionado ao treinamento. Finalmente, em 1935, um estudo de métodos de luta livre (Ju Kumite) com oponentes finalmente tinha começado. Até então, todo Karate treinado em Okinawa era composto basicamente de kata. Isso era tudo. Agora, os alunos poderiam experimentar as técnicas dos kata uns com os outros sem causar danos sérios.
Neste mesmo ano de 1935, foi publicado seu próximo livro: "Karate-Do Kyohan". Este livro trata basicamente dos kata.

Por Elton Silva

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Gichin Funakoshi A HISTÓRIA DO KARATÊ (PARTE 1)

Funakoshi em uma de suas muitas demonstrações de karatê (foto)
A HISTÓRIA DO KARATÊ.

A história do mestre Gichin Funakoshi se confunde com a própria história do Karate, por isso a ele é creditado o título de "Pai do Karate Moderno", devido aos seus esforços em divulgar essa arte para o mundo.

Os primeiros contatos com o Karate

Gichin Funakoshi nasceu em Shuri, Okinawa, em 1868, o mesmo ano da Restauração Meiji.
Funakoshi era filho único e logo após seu nascimento foi levado para a casa dos avós maternos, onde foi educado e aprendeu poesia clássica chinesa. Algum tempo depois ele começou a freqüentar a escola primária, onde conheceu outro garoto de quem ficou muito amigo. Esse garoto era filho de Yasutsune Azato, um dois maiores especialistas de Okinawa na arte do Karate, e membro de uma família das mais respeitadas. Logo Funakoshi começou a tomar suas primeiras lições de Karate.
Como na época a prática de artes marciais era proibida em Okinawa, os treinos eram realizados à noite, no quintal da casa de mestre Azato. Lá ele aprendia a socar, chutar e mover-se conforme os métodos praticados naqueles dias. O treinamento era muito rigoroso. Mestre Azato tinha uma filosofia de treinamento que se chamava "Hito Kata San Nen", ou seja, "um kata em três anos". Funakoshi estudava cada kata a fundo e, só então quando autorizado pelo seu mestre, seguia para o próximo...
Enquanto praticava no quintal de Azato com outros jovens, outro gigante do Karate, mestre Itosu, amigo de Azato, aparecia e observava-os treinando kata, fazendo comentários sobre suas técnicas. Era uma rotina dura que terminava sempre de madrugada sob a disciplina rígida de mestre Azato, do qual o melhor elogio se limitava a uma única palavra: "Bom!". Após os treinos, já quase ao amanhecer, Azato falava sobre a essência do Karate.
Após vários anos, a prática do Karate deu grande contribuição para a saúde de Funakoshi, que fora uma criança muito frágil e doentia. Ele gostava muito do Karate, mas como não pensava que pudesse fazer dele uma profissão, inscreveu-se e foi aceito como professor de uma escola primária em 1888, aos 21 anos, aproveitando toda a cultura adquirida desde a infância quando seus avós lhe ensinavam os Clássicos Chineses. Esta deveria ser sua carreira a partir de então.
O Karate começa a ser ensinado nas escolas de Okinawa
Em 1902, durante a visita de Shintaro Ogawa, que era então inspetor escolar da prefeitura de Kagoshima, à escola de Funakoshi em Okinawa, foi feita uma demonstração de Karate. Funakoshi impressionou bastante devido ao seu status de educador. Ogawa ficou tão entusiasmado que escreveu um relatório ao Ministério da Educação elogiando as virtudes da arte. Foi então que o treinamento de Karate passou a ser oficialmente autorizado nas escolas. Até então o Karate só era praticado atrás de portas fechadas, o que no entanto não significava que fosse um "segredo".
As casas em Okinawa eram muito próximas umas das outras, e tudo que era feito numa casa era conhecido pelas casas adjacentes. Enquanto muitos autores pregam o Karate como sendo um segredo àquela época, não era exatamente isso o que se encontrava na prática. O Karate era "oficialmente" secreto...
Contra os pedidos de muitos dos mestres mais antigos de Karate que não eram a favor da divulgação da arte, Funakoshi trouxe o Karate até o sistema público de ensino, com a ajuda de Itosu. Logo as crianças de Okinawa estavam aprendendo kata como parte das aulas de Educação Física. A redescoberta da herança étnica em Okinawa virou moda, e as aulas de Karate em Okinawa eram vistas como uma coisa legal.
Alguns anos depois, o Almirante Rokuro Yashiro assistiu a uma demonstração de kata. Essa demonstração foi feita por Funakoshi junto com uma equipe composta por seus melhores alunos. Enquanto ele narrava, os outros executavam kata, quebravam telhas, e geralmente chegavam ao limite de seus pequenos corpos. Funakoshi sempre enfatizava o desenvolvimento do caráter e a disciplina nas suas narrações durante essas demonstrações. Quando ele participava, gostava de executar o kata Kanku Dai, o maior do Karate, e talvez o mais representativo. Yashiro ficou tão impressionado que ordenou a seus homens que iniciassem o aprendizado na arte.
Em 1912, a Primeira Esquadra Imperial da Marinha ancorou na Baía de Chujo, sob o comando do Almirante Dewa, que selecionou doze homens da sua tripulação para estudarem Karate durante uma semana.
Foi graças a esses dois oficiais da Marinha que o Karate começou a ser comentado em Tokyo. Os japoneses que viam essas demonstrações levavam as histórias sobre o Karate consigo quando voltavam ao Japão. Pela primeira vez na sua história, o Japão acharia algo na sua pequena possessão de Okinawa além de praias bonitas e o ar puro.

Fonte: Elton Silva

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